segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um Bloco Chamado Saudade



Aos poucos fui me envolvendo no rítmo e na alegria contagiante da multidão. O centro da festa, alí na Praça da Conceição, parecia que toda a cidade estava lá, parte nos blocos parte na praça e nas calçadas que as margeavam. Ora cantavam  "...rema, rema, remador..." ora se ouvia "...no tirol, no tirol...", ou ainda, "...Madureira chorou, Madureira chorou de dor...", os blocos volteando a praça, ornamentada para aquela ocasião, o tempo passando como num calidoscópio e eu atrás caminhando e cantando pelas travessas, ruas e mais praças da minha infância e da minha juventude.
Em pé: Antonio Cordeiro, Ivanilson Pereira, Gonzaga, Ferrer e Ribeiro. Acachados: Raimundo, Raimundo Braz e Kleber Barros.


Então, tudo virou espetáculo com hora marcada e compromissos pré-ajustados. O carnaval foi ficando diferente. A cidade cresceu e o carnaval que ia desde a manhã do primeiro dia, livre, solto e contagiante, ficou diferente passou a ser uma cópia dos eventos existentes nos grandes centros. Outras ruas e travessas, outras ornamentações e novas vozes se misturaram aos enredos confudindo tempo e espaço nos cordões ora remanescentes. (Antonio Cordeiro)

Corsos - Chique & Vistoso

Algumas décadas atrás, o sucesso do carnaval dependia da usina local de "força e luz" e de um cinema. É que à noite, após os delírios das tardes, ocorriam os bailes noturnos, e a luz dos salões vinha da usina que fornecia a energia eletríca. Quando ocorria pane na usina geradora de luz fazia-se uma gambiarra do cine "São Raimundo", até o clube local para que o baile continuasse. Tres incidentes, em nenhuma hipótese, poderia ocorrer: faltar óleo - fonte da energia, indisposição do eletricista e a eterna boa vontade do dono do cinema. E, o clube local, tal qual o coração da cidade, comportava todo mundo. Então o baile varava a madrugada.
 Dizia-se entre os meios sociais que era chic, por ser prática  na capital, ser de bom-tom passear pelas ruas da cidade em carro aberto. As famílias, as mais aquinhoadas com seus carros novos - geralmente um jeep se não fosse um "aerowillys", as outras menos favorecidas ficavam em casa assistindo, sentada na calçada vendo o carnaval passar. O cortejo precedia ao desfile dos blocos, começava mais cedo e invarialmente repetia-se por todos os dias de folias.
A propósito da foto, de longíquo carnaval, talvez o ano seja 1969 ou 1970 -  donde já vão mais de 35 anos de saudosas folias, devo esclarecer que as figuras ilustravam o bloco de salão "Os Invocados" que no embalo do momento também desfilavam pelas ruas da cidade. O cenário mostra o "Sara Kubstechk". ainda maternidade, com a rua por ser calçada...e mesmo assim, era parte do cortejo que percorria da Maternidade até a Praça da Conceição, circulando pelas ruas Cel. Liberalino e Travessa dos Calafates.
 Tudo ainda evolui pelos cantos e recantos de gostosos carnavais que me vem a memória. E foram tantos carnavais...(Antonio Cordeiro)


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